sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sentada entre 4 paredes, olho sem olhar para o branco sem sentimentos nem emoções.
Penso no fim.
No meu e no destas 4 paredes que já serviram de tantos aposentos e agora servem para o corpo de alguns seres passarem algumas horas deitados pela última vez naquelas camas frias tal como o corpo.
Corpo esse, que se vai abrindo ao toque do bisturi, ao som irritante da serra eléctrica, ao barulho da água que escorre pela mesa e ao cheiro da morte....... Cheiro da morte????? Que frase estúpida, como se a morte tivesse cheiro, é o cheiro das vísceras, o cheiro do que fica podre dentro desta nossa veste a que chamamos corpo.
A crer na sabedoria Tibetana e um pouco na Ciência os corpos esperam 47 dias depois de morrerem para que a alma saia de dentro dessa vestimenta e procure o caminho, 4 monges vão através dos mantras ajudá-la a encontrar o caminho certo no labirinto que nos é posto no caminho, tal como na terra a alma também tem que atravessar e contornar armadilhas, não se deixar cair nos medos e nas tentações até encontrar o túnel do amor, nesses 47 dias ela não pode ter medo, tem que se "aventurar" tem que entender que vai iniciar uma nova vida, e sem olhar para trás deixar aquele vestuário que vai depois der partido para ficar na posição fetal e embrulhado em panos brancos e levado para o alto da montanha para servir de comida para os abutres, a morte gera vida. Entretanto a alma encontra o túnel do amor e tem que encontrar os seus pais a fazer amor e entrar no útero da sua mãe para voltar a renascer noutra vida, noutro ser, e assim por diante. Quem não conseguir encontrar esse caminho, andará á deriva perdido nas predições de um mundo sem rumo sem nada.
Qualquer crença, qualquer religião, qualquer explicação termina sempre da mesma maneira:
A vida e a morte, o céu e o inferno, os tuneis com luz e a escuridão, as almas no bom caminho e as almas perdidas.

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